Não existe um sotaque de inglês “mais correto” do que outro. Todos refletem a origem, o percurso e as comunidades de quem os fala. Esta é uma das principais conclusões do projeto This is English, promovido pelo British Council - a organização internacional do Reino Unido para a cultura e a educação - com contributos do sociolinguista Rob Drummond, professor da Manchester Metropolitan University, divulgado no âmbito do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, assinalado a 21 de maio.
O estudo explora a evolução dos sotaques regionais britânicos e das diferentes variantes globais da língua inglesa, analisando de que forma fatores como migração, cultura, redes sociais e novas gerações continuam a transformar o inglês em todo o mundo, sendo a migração um elemento-chave na transformação da língua e na criação de novas formas de expressão.
Segundo o British Council, a ideia de um inglês “correto” resulta, sobretudo, de convenções associadas à escrita e à influência histórica de determinadas instituições e grupos sociais, mas não existe um sotaque universalmente certo na língua falada.
“Quando as pessoas dizem que alguém tem um sotaque “muito carregado”, normalmente querem apenas dizer que soa diferente do seu. Mas “diferente” não significa “errado”. Um sotaque não é algo a corrigir, é um reflexo de quem somos, de onde vimos e das comunidades a que pertencemos”, afirma Rob Drummond, Professor de Sociolinguística da Manchester Metropolitan University.
O projeto destaca ainda que o chamado “Received Pronunciation” (RP) - historicamente associado à família real britânica e adotado pela BBC no século XX como sotaque de referência - nunca foi um padrão “natural”, mas uma construção social ligada a contextos de poder e representação institucional. Atualmente, os media britânicos refletem uma maior diversidade linguística e regional, valorizando a autenticidade e pluralidade de vozes.
O estudo evidencia também o impacto das gerações mais jovens na transformação da língua inglesa. Plataformas como TikTok e YouTube, bem como fenómenos culturais ligados à música, cinema e entretenimento, aceleram a circulação global de expressões, ritmos e pronúncias, tornando o inglês cada vez mais híbrido e multicultural.
Além disso, sublinha que os sotaques são influenciados por fatores como a idade, o contexto social, o género ou a origem cultural, e que não estão a desaparecer, mas a transformarse continuamente ao longo do tempo, acompanhando as mudanças sociais e culturais.
Para o British Council, esta diversidade representa uma das maiores forças da língua inglesa enquanto ferramenta global de comunicação e aproximação entre culturas.
“Na prática, o inglês cresce através das diferentes vozes e sotaques de quem o utiliza. O trabalho do British Council passa precisamente por criar espaços onde estudantes, professores e comunidades possam comunicar com confiança, partilhando experiências e aprendendo uns com os outros”, afirma Chris Mathews, Managing Director, English and Exams, no British Council.
O projeto “This is English” foi desenvolvido pelo British Council com base em investigação académica sobre sociolinguística e variação linguística, reunindo contributos de estudos científicos e especialistas internacionais sobre a evolução contemporânea da língua inglesa.
O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento foi instituído pelas Nações Unidas para promover o valor da diversidade cultural enquanto motor de inclusão, compreensão mútua e desenvolvimento sustentável.